18 de agosto de 2006

O Convalescente

Descrição da imagem: o fundo da foto é bem escuro.  A flor é branca, com textura e pétalas que lembram uma rosa, só que bem aberta. O seu centro é amarelo alaranjado.

O Convalescente

Sarei da dor do amor.
E agora resolvi apostar em nova conduta.
Faço planos para me arriscar
mas sem novamente vir a padecer.
Afinal, quem de bom grado aceitaria sofrer!?

Eu sei: as dores de amores mais persistentes
ainda levarão algum tempo
para perder o contorno forte de suas marcas.
Mas já que não mais sangram
- o que me deixa tranqüilo -
acredito-me preparado para retornar
à arena das conquistas amorosas 
em grande estilo.

Mas, de logo, deixo claro minhas exigências:
Quero alguém assim...
Que eu não precise dizer ‘eu te amo’
mais do que três vezes por dia.
Assim já está de bom tamanho.
Logo após cada refeição,
é mais do que suficiente
para uma vida salutar
e para uma morte acreditando-se feliz. 

E que eu não precise me dedicar 
a afagos e carinhos o tempo todo.
Com um aconchego junto ao lanche da manhã 
e outro na hora das guloseimas do fim da tarde,
supre-se o mínimo das necessidades amorosas,
indispensáveis a sobrevivência digna e sadia,
até o próximo grande bocado,
doado com as refeições maiores,
tudo como já prescrito
pelo médico que de antemão consultei.

Sedução depois da ceia também é permitido.
Mas sem exageros,
que é para não dar congestão
e nem comprometer o sono da cura.
E a entrega... ah, essa só nas madrugadas,
às escuras, sem gemidos, sem testemunhas,
sem olhos nos olhos e sem muita lambuzeira.

Por hora, só aceito se for assim. E pronto.
Disposto o regulamento,
resta-me agora encontrar o louco parceiro.
Sento-me enquanto espero
quem esteja disposto a aceitar
um amor com direção e roteiro.

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