1 de fevereiro de 2007

Iesus


Descrição da imagem: sob fundo verde da vegetação, duas flores que mais parecem um feixe de tirinhas rosas e brancas.



Iesus

Venham a mim, palavrinhas!
Venham todas!
Das simples, às rebuscadas,
Das coloquiais, ao erudito.
Mas venham logo.

Preciso descrever este momento.
É necessário que todos saibam.
Careço de alertar o mundo
para o que me acontece,
para que ninguém mais
caia na armadilha
e viva dor de vida, desnecessariamente.

Preciso avisar aos outros viventes:
“Percebe aquele amontoado de folhas?”
“Está vendo a flecha envenenada?”
“Sentiu o cheiro do medo?”
“Corra! Corra o mais rápido que puder!”
“E só pare quando souber as respostas todas”.
Elas virão com a respiração compassada.
As respostas simples, e as técnicas.
As que se respondem com um ‘sim’ ou ‘não’,
e as que requerem equações em lousa.

Então, respeite o tempo!
E não se exponha muito nas noite de lua cheia
enquanto esse sábio guardião
não termia o nosso lapidar.

Por que a lua não cai do céu?
O que é o amor, e para onde ele quer me levar?
Por que o mar é salgado?
O que é o amor, e para onde ele quer me levar?
Quem foi o designer das asas das borboletas?
O que é o amor, e para onde ele quer me levar?

Venham a mim, palavrinhas.
E me permitam descrever com fidelidade
o grito que há anos ensaia rasgar minha garganta
mas pára na última camada de pele
deixando marcas, vergões e hematomas,
sem que vire sonoridade.
Permitam-me descrever a tortura
e a covardia que lhe segue o silêncio.
Permitam-me explicar a dor que lhe acompanha.

Peço consentimento aos mestres
para enfileirar palavras
em uma linha sinuosa e sem fim.
Precisarei de muitas
para explicar o que se passa
e garantir que ninguém desconheça
que a vida lhe crava os dentes afiados
toda vez que se navegue em ziguezague.
“Navegar é preciso” sempre.

Mas que seja com dignidade e elegância,
objetivo e direção.
E uma certa graça
- bálsamo das dores que me acompanham.


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