24 de janeiro de 2007

Amor e vida

Descrição da imagem: sob fundo pedregoso, duas flores brancas, de centro amarelo, com raios avermelhados.


Amor e vida


Movida pelo coração,
falta-me razão de existir
se me percebo em passos solitários.

Não sei ser “eu”, assim, somente.
Não me foi repassada essa lição
de sobreviver, íntegra, sendo unidade.
Ou cabulei a aula,
seguindo, fugitiva, o meu amor pela vida?
Já faz muito tempo.
Agora não sei mais o porquê
mas me agradam os movimentos duplicados.

Sei, que só sei andar em dueto.
Aos pares reinvento sorrisos,
alimento desejos e
junto as mãos em prece
para os casos de dor profunda
– já que a fé passa a fazer morada em mim.
Simplesmente, confio.

Acredito que o bom mesmo,
se não se pode andar aos pares,
é ao menos ter lembrança
de olhos e de beijos,
de mãos e gemidos cúmplices.

Ainda que em silêncio
Não abro mão desta crença.
Acompanhada, ou em solidão ritmada
escolho seguir impregnada de sentimentos
pois de outra forma, eu não sei para o quê vim.

18 de janeiro de 2007

Seara em ruína

Descrição da imagem: folhagem verde escura de uma mangueira

Seara em ruína

Contigo, foram-se as letras e os papéis.
Foram-se contigo as idéias e as tintas.
Todos eles te seguiram em cegueira,
pois são servos de tua luz.

Agora, o que me sai da boca
é cinzento e sem lume.
O que me escapa aos dedos
é horizontal e circunspecto

Não me acostumei com as perdas.
Não me acomodei a elas,
por isso os pesadelos monocromáticos.

Vez por outra
me pego de caneta em punho
rabiscando inutilmente
as folhas dos cadernos que restaram.
É o desejo que as cores voltem.
Mas não voltam. Nem nos sonhos.

Tantos dias já se passaram
sem um sussurro,
sem um soprar de brisa,
que poucas já são as chances de retomada.

Ao que parece, acabou.
Secaram os sorrisos
Murcharam os desejos
Humilharam-se as flores.

Ao certo, somente as lembranças.
E essas, eu ainda não defini em mim
se são frutos de delírio
ou restos de frustração.

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