4 de setembro de 2006

Montanha Russa (de amor não se morre)

Descrição da imagem: folhas verde intenso ao fundo da foto.  da árvore pendem vagens e um pequeno buquê de flores brancas e rosadas.

Montanha Russa(de amor não se morre)
.
Do zero à centenas de quilômetros,
em frações de segundos,
foram direto ao clímax,
ao ápice do amor
que lhes sorrira uma certa noite.

A cada dia,
um crescente de emoções.

Sensações térmicas,
habilidades mútuas,
almas gêmeas
frio na barriga,
grito adocicado guardado na boca,
esperança de velocidades, curvas
e manobras amorosas.

Mãos aceleradas para o toque,
peitos abertos,
corpos desejosos de entrega,
olhos em feitiço,
feições de encantamento.

Seguidos sustos:
mais uma curva, mais um risco...
prosseguiam.

Espécies perfeitas
da mais abjeta
e apaixonante invenção divina:
o amor.

Entre risos e alegrias
eles sabiam certo:
hora ou outra
viria o declive,
em capa cinzenta,
de surpresas e sobressaltos.
Excitante, mas sem a segura
alegria de construção.

Quem se prepara para a queda?
Quem deixa de voar por sabê-la existente?
Eles não! Foram adiante.

Não sabiam a que altura chegariam,
onde iriam parar e nem como retornar.
De nada tinham certeza.
Mas bastava que seguissem.

Gostavam do risco,
Do grito de temor, da gargalhada sonora,
tudo junto, ao mesmo tempo.

Braços abertos, apontando para o alto,
Parte em súplica ao sagrado:
“Deixe que seja para sempre...”

Ainda assim, esperaram a queda.
E que queda!
Proporcional ao impulso
que os jogara para cima,
e em êxtase,
nem perceberam direito a força.

Seu único alento:
após levantarem
sacudirem a poeira, esticarem as roupas
e se refazerem do susto,
se bem quisessem,
poderiam voltar às delícias
e aos medos repentinos,
sem nem intervalo
pois já haviam sacado
que de amor não se morre,
mas que dele se renasce e se recria.

Foto: Emanuel Galvão (agosto/2006)

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