2 de abril de 2007

Da mais profunda pele


Descrição da imagem: flores silvestres, pequeninas, em tom vermelho, amarelo e rosado. Algumas em foco, outras fora dele.  Uma borboleta em tons branco, amarelo e preto repousa sobre uma das flores.


Da mais profunda pele

Sinto-me de dentro para fora.
A permissão primeira,
o comando de invasão de mim
vem de um ponto onde só eu domino.
Lá, onde vivem minhas vontades.

Algum lugar incerto
localizado entre meu peito e o meu útero,
onde sou rainha de mim
e ninguém me dá ordens,
a não ser, o meu outro eu.

Afinal, somos de pólos duplos
nós os seres que teimamos
permanecer pensantes
em pleno século XXI
– que ousadia!

Sinto-te pelos poros,
pois assim permiti.
Não acredito em outra forma
de relacionamento amoroso,
que não a que nos invade
com uma certa violência e desordem

E foi assim, de dentro pra fora,
que preparei sua chegada.
Derrubando guardas, desfazendo medos
festejando silenciosa,
entre sobressaltos e mansidão.
Primeiro a alma, depois o corpo
– essa armadura que passou a solicitar tua presença
em ondas cíclicas de alegria.

Pronto: amo-te!

18 de março de 2007

A dona da história


Descrição da imagem: uma flor branca de grandes pétalas ocupa todo o enquadramento da foto. O seu centro é em rosa forte e com pequenas manchinhas em tom mais escuro e tam´bem em amarelo. O seu formato lembra os pequenos e grandes lábios do sexo das mulheres.

A dona da história
E que se passem os anos
em cansativa lentidão.
E que, eles todos, em somatório,
nos afastem com ares de “nunca mais”.
Nada me verga.

Acredito nos presságios
e no movimento da vida.
Acredito na troca de olhares
e na paz que a ela se segue.
Por trás das várias capas que te guardam,
Simplesmente, acredito.

Em que parte da história? Eu pergunto.
Eu que parte houve a fusão?
Quando, sem perceber, adentrei a porta
– entre as tantas – sendo somente ela
a que me traria até aqui?
Qual caminho segui – sem que soubesse –
e onde lacei teu coração?
E com que força!
Com tranças, tecidas nas noites insones
– incansavelmente –, atei-te a mim,
e te fiz meu, sem que percebesses?

A dona da história.
Dona da minha.
Da tua história.
A dona.
A Madona.

Repousa, guerreiro meu.
Repousa em teus próprios braços
Já que não temos um ao outro
para recompormos as energias
que se fluem com o passar dos dias doridos..
Repousa ao longe, cabisbaixo.
Depois, levanta-te e prossegue.
Prossegue sem medo de perder-se de mim.
Avança, intrépido, em direção oposta – não temas.
Afaste-te de mim, quantas vezes precise
para reafirmar os seus votos pessoais,
ou para o mundo acreditar que venceu a batalha.
Vá, e vá... e vá.... e vá....
Eu, nada temo.
Há muito caminho aconchegada em teu peito.
Nada mais me importa.

14 de março de 2007


Ando sem compor poemas, mas é por uma boa causa: projetos pessoais, de pesquisa na minha área profissional vem me tomando todo o tempo.
Obrigada pela visita e me aguardem só um pouquinho, que já, já, estará tudo em ordem e volto a sonhar...

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