18 de março de 2007

A dona da história


Descrição da imagem: uma flor branca de grandes pétalas ocupa todo o enquadramento da foto. O seu centro é em rosa forte e com pequenas manchinhas em tom mais escuro e tam´bem em amarelo. O seu formato lembra os pequenos e grandes lábios do sexo das mulheres.

A dona da história
E que se passem os anos
em cansativa lentidão.
E que, eles todos, em somatório,
nos afastem com ares de “nunca mais”.
Nada me verga.

Acredito nos presságios
e no movimento da vida.
Acredito na troca de olhares
e na paz que a ela se segue.
Por trás das várias capas que te guardam,
Simplesmente, acredito.

Em que parte da história? Eu pergunto.
Eu que parte houve a fusão?
Quando, sem perceber, adentrei a porta
– entre as tantas – sendo somente ela
a que me traria até aqui?
Qual caminho segui – sem que soubesse –
e onde lacei teu coração?
E com que força!
Com tranças, tecidas nas noites insones
– incansavelmente –, atei-te a mim,
e te fiz meu, sem que percebesses?

A dona da história.
Dona da minha.
Da tua história.
A dona.
A Madona.

Repousa, guerreiro meu.
Repousa em teus próprios braços
Já que não temos um ao outro
para recompormos as energias
que se fluem com o passar dos dias doridos..
Repousa ao longe, cabisbaixo.
Depois, levanta-te e prossegue.
Prossegue sem medo de perder-se de mim.
Avança, intrépido, em direção oposta – não temas.
Afaste-te de mim, quantas vezes precise
para reafirmar os seus votos pessoais,
ou para o mundo acreditar que venceu a batalha.
Vá, e vá... e vá.... e vá....
Eu, nada temo.
Há muito caminho aconchegada em teu peito.
Nada mais me importa.

14 de março de 2007


Ando sem compor poemas, mas é por uma boa causa: projetos pessoais, de pesquisa na minha área profissional vem me tomando todo o tempo.
Obrigada pela visita e me aguardem só um pouquinho, que já, já, estará tudo em ordem e volto a sonhar...

1 de fevereiro de 2007

Iesus


Descrição da imagem: sob fundo verde da vegetação, duas flores que mais parecem um feixe de tirinhas rosas e brancas.



Iesus

Venham a mim, palavrinhas!
Venham todas!
Das simples, às rebuscadas,
Das coloquiais, ao erudito.
Mas venham logo.

Preciso descrever este momento.
É necessário que todos saibam.
Careço de alertar o mundo
para o que me acontece,
para que ninguém mais
caia na armadilha
e viva dor de vida, desnecessariamente.

Preciso avisar aos outros viventes:
“Percebe aquele amontoado de folhas?”
“Está vendo a flecha envenenada?”
“Sentiu o cheiro do medo?”
“Corra! Corra o mais rápido que puder!”
“E só pare quando souber as respostas todas”.
Elas virão com a respiração compassada.
As respostas simples, e as técnicas.
As que se respondem com um ‘sim’ ou ‘não’,
e as que requerem equações em lousa.

Então, respeite o tempo!
E não se exponha muito nas noite de lua cheia
enquanto esse sábio guardião
não termia o nosso lapidar.

Por que a lua não cai do céu?
O que é o amor, e para onde ele quer me levar?
Por que o mar é salgado?
O que é o amor, e para onde ele quer me levar?
Quem foi o designer das asas das borboletas?
O que é o amor, e para onde ele quer me levar?

Venham a mim, palavrinhas.
E me permitam descrever com fidelidade
o grito que há anos ensaia rasgar minha garganta
mas pára na última camada de pele
deixando marcas, vergões e hematomas,
sem que vire sonoridade.
Permitam-me descrever a tortura
e a covardia que lhe segue o silêncio.
Permitam-me explicar a dor que lhe acompanha.

Peço consentimento aos mestres
para enfileirar palavras
em uma linha sinuosa e sem fim.
Precisarei de muitas
para explicar o que se passa
e garantir que ninguém desconheça
que a vida lhe crava os dentes afiados
toda vez que se navegue em ziguezague.
“Navegar é preciso” sempre.

Mas que seja com dignidade e elegância,
objetivo e direção.
E uma certa graça
- bálsamo das dores que me acompanham.


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