8 de dezembro de 2006

Duas gotas de delírio

Descrição da imagem: sob folhas verde, duas flores rosa claro, com centro amarelo


Duas gotas de delírio
(13/11/1987)
Corro em direção ao sol
Na procura do que me dê forças
e sozinho não consegui encontrar.
Vou de carona num coração qualquer, de borracha,
que tem a forma que sonhei e nunca se rompe,
não pedindo alimento.
Ando de costas: tenho medo de traição.
Respiro fundo na esperança de purificação.
Tenho medo das palavras dos homens
Evito olhares que se cruzem e se choquem em dor.
Desvio os sorrisos que me causem espanto ou admiração.
Sei que sempre quero demais.
Mas tem muita coisa omitida em meu desejo.
Também sacrifico sonhos, coleciono frustrações.
Só que destilo tudo, e aí viram versos.

Estimulando algodões

Descrição da imagem: ao centro de um fundo escuro, composto por outras vegetações, duas flores brancas, de centro rosado e amarelado. Uma delas se encontra no foco e a outra desfocada.


Estimulando algodões
(25/11/1987)
À primeira vista, parece algodão
Algodão doce
Branco ou de leve cor
O cheiro é de amor
Macio ao tato
Gelatinoso à carícia
Receptivo às sensações
Respondendo às minhas fantasias
Cúmplice
Devoro com o meu desejo
Tateio em meus sonhos
A resposta que preciso é a tua procura
Pelas minhas mãos em teus seios.

Vácuo

Descrição da imagem: em fundo verde, uma flor parecida com a margarida se encontra posicionada ao centro. Só que é toda amarela.

VÁCUO
(Julho/1987)




Caminho por meio de sonhos sonoros.
Traio a confiança de meu corpo cansado e doente.
Grito para o nada e espero o retorno do eco
Vindo do oco de meu vazio anterior.
É promessa, sim : juro me querer para sempre.
A mim faço essas promessas e outros fúteis desabafos.
Minha morada é no coração de quem há muito já se foi.
Corro pelo arrebol de minha consciência
Ela brilha, cansada, insistente.
Me procuro...
É claro que não me encontro.
Eu não existo!!!

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