18 de fevereiro de 2009

Sem Nome...


Descrição da imagem: parede marrom, com porta e rodapé brancos.  a porta está levemente aberta, por onde se vê que é dia claro.


Sem nome...


Fui cuidadosa e discreta como sempre pedes.

Saí, fechei a porta, duas voltas na chave, e a engoli, como se recomenda para os momentos em que cabeça, coração e útero caminham separados, cada qual para onde bem entende.

Ao menos, por um tempo, eu não poderei voltar, como orientam os especialistas na arte de amar e de manter os relacionamentos duradouros.

Quem sabe, assim, você note que eu não estou por perto, e a seu dispor.

Cheiro de comida carinhosamente posta a mesa.

Tudo como te agradas – não teria porque partir de outra forma.

E sequer sentisses minha ausência (fui cuidadosa para que isso não acontecesse).

Durante dias, vivesses com o que sobrou de minha última passagem pela porta. Era um misto de sombra e respingos de água, frio, cinzento e com cheiro almiscarado.

Eu fui. Ficou o som seco, os aromas, a fraca força de vontade e as outras coisas assim... 

menos consistentes. As coisas que nos seguem somente dias depois de já termos passado pela porta, pois elas têm seu próprio ritmo, mais lento.

Eu fui...

E as razões, são as de sempre: uma certa dose de emoção que me faltava para sorrir; a vida que se esvaia pelo corte em T, feito em meu peito; a tua incapacidade de dizer as palavras que eu preciso, para continuar respirando; ou a incapacidade de permitir que eu olhasse em teus olhos (eu poderia extrair de lá, sozinha, a força que carecia para, não vergar no meio do caminho).

Se ao menos eu te tocasse com a ponta dos meus dedos, sorriria por um minuto e te seguiria por mais algum tempo.

Talvez, assim eu tivesse forças para te servir a mesa mais uns dias.

Para sempre, não. É que "sempre" não existe.

Sem as palavras, um dia ... um dia, eu iria...

Melhor assim, enquanto não se fincam as tuas raízes.

Capinei o jardim de meus sentimentos, arranquei as ervas que julguei daninhas, todas com as minhas quentes mãos de afeto.

Com carinho, amassei, quebrei, arranquei brotos, danifiquei as raízes, me certificando de que nada mais nasceria.

Apliquei os defensivos necessários a tornar a terra de mim infértil.

É que cada vez mais temo que brote vida da aridez que cuidadosamente cultivo.

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