21 de dezembro de 2006

Contraditório

Descrição da imagem: a frente de fundo escuro, composto pela vegetação do local, uma flor branca, em que pistilos amarelados e esverdeados pendem.. Uma das folhas tem tons rosa e alaranjados.


Contraditório


Contraditório, este sistema do tempo.
A gente vai ficando mais velho
e aí vai entendendo
o funcionamento das coisas
e o nosso próprio funcionamento.

E fica mais “ligth”, mais descolado.
Já não “encuca” tanto com bobagens.
Mas, ao mesmo tempo, vai ficando mais seletivo,
mais exigente, menos tolerante.
Estranho conter em um mesmo lugar
dois sentimentos tão antagônicos,
o “exigir” e o “permitir”.
Só mesmo a sabedoria da vida,
para dar resposta
a equação tão delicada de sentimentos.

Que somos nós?
Somos caos em busca de equilíbrio?
Ou equilibrados com surtos violentos?
Cabo de guerra de sentimentos reversos.
Talvez a resposta exata
nos chegue com o fim dos nossos dias.
Uma pena...
Tarde demais vamos constatar
que muita dor poderia ter sido evitada no caminho.

2 Comentários:

Fábio Sirino disse...

Com as indagações chegam prováveis respostas...
No encontro delas os homens, as mulheres, os meninos
Cada um com seu modo e seus questionamentos
E no fundo do jardim e da palavra a alucinação
Essa que insistimos em chamar de consciência
Vou pela contra mão, ser marginal das indagações
Questionar a pergunta e nunca a resposta
Ai sim quem sabe duvide menos dos outros
E acredite mais em mim...
(achei lindo o poema, mas queria um fim mais... (você me entende ne?)).
Parabéns e vá me visitar no Manicômio. Os loucos sempre precisam de visitas...

Estrela disse...

Andei evitando, é verdade, pois temi que a identidade com a dor dos loucos levasse embora os meus últimos traços de lucidez.
Mas se bem observasses do fotolog, promovi visitas.
Gosto de quebrar o ritmo do poema com o fim que simplesmente corta o monólogo. Mas nas vezes que me apontasses isso, também é verdade, foi desencanto, mesmo. Às vezes, simplesmente, paro.
Talvez meu fim não agrade muito... talvez.
Visite-me no jardim, você também, nas raras vezes em que foges da vigilância dos enfermeiros e do efeitos dos medicamentos. Ajude-me a regar as flores, que são muitas, e nem sempre dou conta.
Mais tarde, quando começar a tremedeira da abstinência da medicação, prometo pegar em tua mão e te levar de volta.
Os médicos já se habituaram que foges sempre, e que isso até contribui em tuas poucas chances de recuperação.
És caso sem jeito: tuas asas, não se podam; teu brilho,não se ofusca; tua casa, sob as nuvens... voe logo. Estás perdendo tempo aqui em baixo.

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